Um Mundo Sem Regras – Coexistência entre Nações

Vivemos num mundo onde grandes potências ocidentais, tais como, os Estados Unidos, impõem constantemente as suas forças militares perante os outros, potencias orientais tentam impor os seus cultos religiosos perante outras, potências vivem há anos climas de guerra e terror, potencias que depois de muitos anos de crise renascem o seu poder económico-financeiro. Vivemos num mundo onde se centraliza um desregramento intelectual, um desregramento geopolítico, um desregramento ético. Mas será que conseguiremos sair destes confrontos entre as potências? Será que conseguiremos juntar as potências em prol de um bem comum? Ou será que fomos longe demais?

Nos dias de hoje, a humanidade está confrontada com novos perigos, tais como, os perigos de alterações climáticas que ameaçam o futuro do nosso planeta e que exigem soluções globais inéditas, que movam várias potenciais para tornar as soluções reais. Contudo, se nada for feito a esse respeito num futuro próximo, podemos estar a por em causa aquilo que foi e é hoje a nossa humanidade e a nossa civilização.

Amin Maalouf na sua obra “Um Mundo sem Regras” destaca o grande desequilíbrio social, económico, politico e militar em que vivemos hoje. Relevando muitos dos incidentes que levaram aos conflitos de violência atuais nos países do golfo Pérsico. Mas também qual a importância de nós como seres humanos termos a capacidade de alterar mundo em que vivemos hoje, acredita ser tarde, mas não tarde de mais para fazer o certo.

“O navio onde embarcámos já se encontra à deriva, sem rumo, sem destino, sem visibilidade, sem bússola, num mar encapelado, e que será necessário urgentemente um abanão para evitar o naufrágio”. – Amin Maalouf

A situação atual do mundo constitui-se num pós Guerra Fria, pós conflito entre o bloco Ocidental e o Bloco Oriental. Atualmente, de todas as potências mundiais a Europa é aquela que se encontra mais equilibrada, como centro cultural do mundo, preocupa-se com o mundo e com as pessoas e principalmente com o seu futuro. Os restantes encontram-se mais instáveis: os países árabe-muçulmanos “afundam-se” porque estão contra todos e contra si mesmos; os países africanos são vítimas de guerras, epidemias, tráficos sórdidos, corrupção generalizada. A Rússia tem dificuldades em recuperar do comunismo radical que operou há mais de 60 anos. Os Estados Unidos tentaram domar sozinhos, um planeta indomável, enfraquecendo o seu poder politico, económico e militar. A China e a Índia têm andado a prosseguir sem descanso o seu desenvolvimento económico ao mesmo tempo que procuram preservar a sua coesão social e nacional.

Contudo, a Europa também se encontra num impasse histórico que afeta os seus comportamentos e contribui também para a situação que se estende, atualmente, no mundo. Por isso, os problemas não são apenas associados ao oriente, mas também ao ocidente. Isto revela-se nos dias de hoje nos dois lados do mundo, em primeiro lugar, o mundo muçulmano é incapaz de tolerar hoje o que tolerava há cinquenta, há cem ou mesmo há mil anos devido aos seus regimes opressores e religiosos convictos que tem tido nos últimos tempos. Em segundo lugar, no Ocidente, há como um sentido de superioridade, de arrogância e de insensibilidade. Nesse sentido, no sentido de serem aplicadas medidas que exigem sacrifícios pesados por parte de cada nação, de cada cidadão, será necessário um considerável crescimento de solidariedade planetária. Nesse sentido o que é que é preciso fazer? Como chegamos a essa solidariedade planetária para originar um bem comum?

Em primeiro lugar, deveria de ser posto em causa a fixação no passado histórico, nos tradicionalismos, dogmas religiosos e pensar mais no presente e no futuro. Nesse sentido, teria de haver uma reestruturação onde tudo seria novo – as sociedades, as legitimidades, as identidades, os valores, as referências. Para isso, é necessário uma escala de valores que permita gerir a diversidade, o ambiente, os recursos, os conhecimentos, os instrumentos, o poder, o equilíbrio – prevalecendo a vida comum e a capacidade de sobrevivência do ser humano.

Maalouf acredita que o mundo exige a adoção de uma escala de valores baseada no primado da cultura. Hoje, o papel da cultura é fornecer os instrumentos e morais que permitirão sobreviver. Por exemplo, para contornar os problemas ecológicos que existem no mundo ter-se-ia alterar os comportamentos globais da maioria dos países. Esta é já uma razão suficiente para considerar o primado da cultura como uma disciplina de sobrevivência.

 “Encorajar todos os contemporâneos a estudar línguas, a apaixonar-se pelas disciplinas artísticas, a familiarizar-se com as diversas ciências, para que sejam capazes de apreciar o significado de uma descoberta em biologia ou em astrofísica.” – Amin Maalouf

É necessário dar um lugar central ao conhecimento e à literatura porque é “aí que ele (ser humano) revela as suas paixões, aspirações, os seus sonhos, as suas frustrações, as suas crenças, a sua visão do mundo que o rodeia, a sua perceção de si mesmo e dos outros, inclusive de nós próprios”. Nesse sentido, deve emergir um novo tipo de humanismo, um humanismo que mova pessoas em prol de uma causa, que se abstenha por completo da tradição e que não seja considerado um instrumento ideológico ou político do Ocidente.

Em segundo lugar, o espirito de apartheid – respeito da especificidade – está omnipresente no mundo de hoje e continua a propagar-se. Todos nós temos a perceção que pertencemos a uma nação e consideramos aqueles que não fazem parte dessa nação de Outros. Muitas vezes consideramos a Outro através das suas especificidades sejam estas religiosas ou étnicas e é por isto, que muitas vezes nos impede de ver o Outro para lá da sua cor, da sua aparência, do seu sotaque ou do seu nome. Mas para chegarmos a um pensamento global, ao qual se traduziria numa “aldeia global”, este sentimento de especificação não pode ser tolerável porque compromete as possibilidades de coexistência no seio de cada país, de cada cidade e leva muitas das vezes a grandes conflitos e violência.

Concluindo, a nossa época oferece ao mundo atual a possibilidade de restaurar a sua credibilidade moral – independente das nossas crenças e nações, de ultrapassar os conflitos históricos da humanidade – luta entre nações, entre estados, entre comunidades étnicas e entre civilizações. Como “aldeia global” temos o dever de ultrapassar a pré-história do homem, os conflitos sangrentos que perduraram durante milénios, devido a ideologias, religiões, modos de pensar e impor acima de tudo soluções para os problemas atuais que põem em perigo toda a humanidade: problemas climáticos, violência, propagação de armas de fogo e nucleares, tráfico humano, entre outros. Nesse sentido a única maneira de travar o percurso que caminhamos hoje, é acima de tudo focarmo-nos naquilo que realmente interessa: lutar por ideais científicos e éticos. Lutar por algo mais importante dos que as fronteiras que constam nos mapas, as religiões que constam nos livros sagrados, o cobiço da moeda como bem essencial, entre outros. É a luta pelo pensamento científico, que se revela cada vez mais essencial para tratar e solucionar os problemas atuais e também o pensamento ético como essencial para formar cada ser humano para chegar ao bem comum no mundo.

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