Nobreza de Espírito – Conceito Perdido no Tempo

Atualmente, vivemos num mundo globalizado, onde as barreiras entre países sejam estas temporais ou especiais deixaram de existir. Por vezes, sem termos consciência disso, vivemos num mundo altamente capitalista, onde há grandes complexos empresariais, tudo é comércio e tudo é negócio. Contudo, será que no mundo que pensávamos ser melhor, deixámos de ligar às coisas que realmente interessam? Será que deixámos de nos interessar pelo espiritual?

A democracia sempre teve como objetivo trazer a liberdade para todos, mas a maioria de nós devido a essa liberdade excessiva tornou-se individualista até ao ponto de não se interessar em nada mais sem ser apenas os próprios interesses, sejam estes riqueza ou poder. Nesse sentido, a hipocrisia cresceu no nosso meio, isto é, o resultado da ganancia que estrangula a nossa sociedade – existe maldade dentro dos humanos para alcançar determinados objetivos.

“A Liberdade – difícil e trágica – já não é mais o espaço de que o individuo necessita para praticar a aquisição da dignidade humana; é antes a perda dessa dignidade a favor da idolatria do ideal animal: tudo é permitido”. – Rob Riemen

Em resultado, o mundo ocidental atribui superioridade a tudo o que é novo e veloz e mostra progresso. A história é excomungada, as tradições não contam; a eternidade e a transcendência já não são reconhecidas. A sociedade ocidental é então substituída pelo niilismo, o culto da ausência de valores, é nada mais, do que a ausência de valores coletivos e absolutos, isto leva indivíduos a pensar que tudo é permitido. Isto deve-se, porque a sociedade atual tem como pilares mais importantes, os meios de comunicação de massas e a economia social-capitalista, estes proclamam as virtudes do que é novo, veloz e progressista – tudo ao nível dos bens de consumo – e depois oferecem a liberdade de se ser feliz com as “maquinetas” tecnológicas. Isto é nada mais do que uma sociedade que vendeu a alma por dinheiro: comércio, capitalismo, globalização, uma sociedade que adotou uma política de lucro. É por esta sociedade que tem por base o niilismo que o conceito de nobreza de espírito desapareceu.

Nesse sentido, Rob Riemen na sua obra Nobreza de Espírito, relembra a existência de um conceito importante como a nobreza de espírito e a sua forte ligação dependente com a liberdade.

A nobreza de espírito é nada mais do que a realização verdadeira do que é a liberdade e sem este alicerce, uma democracia não pode existir. Whitman apresenta este conceito como: a vida como uma demanda de verdade, do amor, da beleza, e da liberdade; a vida como arte de nos tornarmos humanos através do culto da alma, nada mais do que, a encarnação da dignidade humana. Para este autor um sistema, as instituições políticas e o direito ao voto não é suficiente para a verdadeira democracia, é preciso algo mais para uma democracia verdadeira. É necessário, nesse sentido, um clima espiritual. Para atingir uma noção espiritual é necessário uma verdadeira educação liberal, ou seja, uma educação que tenha por base a nobreza de espírito. De forma a atingir este estado o ser humano precisa de se libertar de tudo o que esta democracia capitalista e global trouxe: dinheiro e poder, que não são mais do que restrições à própria liberdade. A melhor vida é desse modo inteiramente dedicada ao pensamento e ao amor da sabedoria.

“Liberto do poder da religião e do dinheiro, irá ulteriormente viver para a verdade e para a liberdade e nunca voltará a ser fiel a qualquer delas” – Rob Riemen

A nobreza de espírito é dependente da liberdade e a essência da liberdade não é nada mais do que a própria dignidade. “Só obedecem ao apelo para serem humanos, aqueles que não se deixam possuir pelo desejo, riqueza, poder ou medo mas em vez disso conseguem tornar seu o que é duradoura e verdadeiramente bom e deixam que a liberdade e a verdade os conduzam – somente esses sabem o verdadeiro significado da liberdade”. Sociedades que não são livres tendem a restringir as pessoas a pensar, a publicar a comunicar e por isso sem a liberdade é impossível chegar à nobreza de espírito, por isso, apenas quando o ser humano está liberto da religião, do poder e da riqueza é que é possível procurar o conhecimento e a dignidade humana.

“É o peso material que dá valor ao ouro e o peso moral que dá valor ao homem” – Baltasar Gracián

Nesse sentido, não pode haver civilização sem compreensão de que o ser humano tem duas facetas: uma existência física e uma existência espiritual. Por isso, têm conhecimento da verdade, da bondade, da beleza, estão familiarizados com a liberdade e a justiça, o amor e a caridade. Esses valores são universais porque são iguais para todas as pessoas e intemporais porque estão presentes desde todos os tempos. É aqui que advém a cultura, a cultura é nada mais do que o conhecimento e a modelação dessas qualidades espirituais.

Rob Riemen acredita então que a nobreza de espírito não está ressente nos dias de hoje e isso põe em causa a própria liberdade que é dependente dos valores, a cultura que advém desses valores e a própria dignidade humana. A sociedade atual prefere trabalhar as questões de felicidade do que questões acerca do significado da própria vida. A dimensão política mostra-nos a ideia de que apenas ela pode ajudar o ser humano a alcançar essa felicidade. Nesse sentido, sem nobreza de espírito esta sociedade atual irá encontrar um fim.

O grande interesse económico desta sociedade atual tem impacto em todos os níveis de uma sociedade. Mais particularmente no mundo organizacional, institucional e empresarial. Nesse sentido, se as organizações querem evitar o fim da sociedade atual, devem exercer a sua ação em conformidade com a Nobreza de Espírito. Devem ter no seu seio presentes os valores que devem ser contemplados na sua atividade e criar uma cultura organizacional correta.

Como profissionais de Relações Públicas grande parte do seu trabalho está presente na modificação da cultura da empresa para que esta seja mais ética, mais moral. As organizações têm o poder de alterar a sociedade porque são agentes ativos de mudança social e por isso devem manter relações benéficas com os vários públicos e leva-los a tomar atitudes e comportamentos mais responsáveis, mais éticos e mais morais. As organizações devem relembrar a existência da nobreza de espírito e tudo aquilo que ela significa na vida de um ser humano.

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