Comunicação em Clima de Crise – Movimentos Vegan

Cada vez mais os meios de comunicação social são mais acessíveis e influenciadores,  devido a vários fatores, tais como: a globalização, grande crescimento das plataformas digitais, grande interesse público, entre outros. Por isso, há, cada vez mais, ameaças à reputação das organizações que muitas das vezes são disseminadas por esses meios.

Contudo, não são apenas esses meios que apresentam ameaças ao meio empresarial, mas também todo o grande crescimento que tem havido de movimentos sociais que agrupam numerosas pessoas em prol de uma causa. Por isso, há uma grande necessidade dos profissionais de relações públicas definirem e implementarem estratégias comunicacionais de modo a preservar a reputação das organizações e não só, mas também das próprias indústrias que são postas em causa.

“A reputação passa despercebida até ser ameaçada.” – Barnett e Lafferty (2006)

No final deste último século houve um grande crescimento de movimentos sociais ao qual se intitulou de “Novos movimentos Sociais” , podendo-se destacar: direitos feministas, direitos homossexuais, direitos civis, direitos dos animais, movimentos ambientalistas e antinucleares e mais recentemente, os movimentos vegans. Este tipo de movimentos tem grande impacto na vida social devido à difusão dos meios de comunicação e redes sociais que ajudam a espalhar a palavra.

Alguns destes grandes movimentos a nível mundial têm tido, nos dias de hoje, grande impacto a nível de grandes superfícies e das cadeiras empresariais mais lucrativas, tal como, a indústria alimentar (pecuária), a indústria da beleza e estética em conjunto com a indústria do vestuário. Este tipo de indústrias tem visto constantemente os seus nomes nos holofotes dos meios de comunicação pelas suas práticas, que são consideradas erradas perante alguns dos movimentos. Nesse sentido, é possível afirmar que estas se encontram em constante comunicação de crise e afinal o que têm elas feito para tentar diminuir os grandes impactos deixados por estes grandes movimentos?

Vou focar grande parte do meu trabalho em questões relacionadas com os movimentos vegan, visto que, é um movimento que tem tido cada vez mais impacto na sociedade nos dias de hoje. Segundo, Meikei Janssen (2016), os números de consumidores de dietas vegan tem vindo a aumentar recentemente e a exigência de alimentos vegan tem vindo a aumentar notavelmente em muitos países industrializados (Newport, 2012 e VEBU, 2016). Contudo, para além dos consumidores vegans serem apenas uma minoria da população mundial, há especulações que levam a acreditar que a sua influência no sector alimentar e na indústria do vestuário, mais precisamente, no consumo em geral, tem vindo a aumentar.

O termo vegan refere-se, segundo a União Europeia Vegetariana (2016) e a Sociedade Vegan (2016), a pessoas que consomem produtos sem vestígios animais. As pessoas que se encontram neste tipo de dieta são pessoas que se recusam a consumir algum produto animal, mas também produtos cuja morte de algum animal esteja envolvida (carne e gelatina), como também lacticínios, ovos e outros ingredientes de origem animal – European Vegetarian Union, 2016 e Vegan Society, 2016

Em primeiro lugar, é importante esclarecer o que é estar num clima de Comunicação de Crise ou de Risco no contexto empresarial. A comunicação de Crise ou de Risco é a comunicação que é feita aquando uma situação problemática ocorre, contudo, neste sentido, os movimentos sociais não são apenas questões temporárias que podem ser alteradas, mas sim, movimentos constantes e permanentes. Nesse sentido, como é que um profissional de Relações Públicas pode resolver através da comunicação estas questões que alteram mentalidades e o estilo de vida das pessoas. É possível intitular este tipo de comunicação de “anti-comunicação”, visto que, as empresas tentam ao máximo refutar factos, tentando comunicar e provar o contrário daquilo que os movimentos sociais e os próprios social media tentam provar sobre as mesmas.

De seguida, é necessário referir o histórico destes movimentos sociais e qual a importância que estes têm tido na alteração das mentalidades das pessoas, nos dias de hoje. De que maneira estes movimentos sociais alteram completamente as mentalidades e estilos de vida das pessoas. É importante acima de tudo verificar a importância que os movimentos sociais têm nos nossos quotidianos e de que maneira podem prejudicar as atuais indústrias.

Cada vez mais, há a preocupação com aquilo que nos é próximo, como os animais, o meio ambiente, o bem-estar daqueles que nos envolvem e por isso mesmo, cada vez mais, estes movimentos sociais têm tido impacto na vida quotidiana de qualquer um de nós. Por isso, é também pertinente explorar a questão de quais os impactos negativos ou positivos que estes movimentos sociais podem trazer para determinadas indústrias.  

Por último, é importante referir alguns exemplos práticos de empresas que utilizaram a comunicação para “combater” estes grandes movimentos sociais. Verificando também se estas ações realmente tiveram resultados ou se falharam completamente.  Que tipo de comunicação têm feito as grandes empresas e também as próprias industrias de forma a diminuir os impactos dos movimentos vegans.

Um exemplo interessante deste tipo de comunicação é o da indústria dos lacticínios, uma das indústrias mais lucrativas do final do século 20 e que nos últimos anos tem vindo a perder cada vez mais consumidores, isto não se deve apenas ao crescimentos dos movimentos vegans, mas também, ao crescimento de várias opiniões de conceituados nutricionistas, no qual,  desmentem o facto de o leite ser essencial para a saúde (fazendo também ao mesmo tempo parte da Propaganda Vegan). Como pode uma indústria sobreviver a tal acusações através da comunicação?

Concluindo, algumas destas questões devem de ser realmente respondidas para que seja possível perceber, até que ponto é que os movimentos sociais referidos têm mais valor do que a própria comunicação da empresa. Poderá um profissional de Relações Públicas resolver tais problemas apenas através da comunicação. Atualmente, vivemos num mundo instável onde há constantes ataques à reputação das empresas não só através dos meios de comunicação social, mas também através da quantidade crescente de grandes movimentos sociais que movem pessoas por uma causa, muitas das vezes com grande valor moral, mas que põem em causa a reputação de muitas das indústrias.

 

 

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