Book Review: 13 Horas – Os Soldados Secretos de Benghazi, de Mitchell Zuckoff

O livro desenvolvido por Mitchell Zuckoff e os cinco operadores sobrevivente – 13 horas – acompanha ao pormenor os ataques de 11 de Setembro de 2012, em Benghazi. Neste livro, é descrito quase de minuto a minuto aquilo que aconteceu nos ataques ao Complexo da Missão Especial do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América e ao Anexo da CIA.

Mitchell Zuckoff é um professor de jornalismo na Universidade de Boston e autor de seis livros de não-ficção incluindo Lost in Shangri-La e Frozen in Time, bestsellers
do The New York Times. É um jornalista e escritor conceituado, tendo já recebido vários prémios e menções.

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O seu livro “13 Horas – Os soldados secretos de Benghazi – A Verdadeira História”(“13 Hours: The Inside Account of What Really Happened in Benghazi”) foi número 1 Bestseller do New York Times.  O escritor Mitchell Zuckoff relatou os acontecimentos reais dos ataques de 11 de Setembro de 2012 ao pormenor com a ajuda dos cinco operadores especiais sobreviventes, membros da Equipa de Segurança do Anexo da CIA.

Ao contrário, de muitos outros livros sobre o ataque de Benghazi de 11 de Setembro de 2012, este é um livro que não se foca apenas nas questões controvérsias sobre o governo americano, mas sim, sobre a visão dos operadores secretos sobreviventes durante as 13 horas de constantes ataques.

O livro remete para o trágico ataque de 13 horas ao Complexo da Missão Especial do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América e para os três ataques seguintes numa base da CIA próxima, “o Anexo” em Benghazi, na Líbia, entre a noite de 11 e a manhã de 12 de Setembro de 2012. Este livro retrata quase de minuto a minuto aquilo que os operadores viram nas 13 horas, desde o início dos ataques ao Complexo até ao momento em que os operadores sobreviventes foram resgatados até ao aeroporto.

Nas primeiras páginas do livro, Zuckoff apresenta uma nota ao leitor, onde o autor faz um resumo geral sobre os norte-americanos presentes nos ataques e a veracidade do livro. Repetindo novamente, que se trata de um livro não-fictício com a participação detalhada dos operadores sobreviventes dos ataques. De seguida, Apresenta todos os americanos presentes no ataque do Complexo e do Anexo – Mark “Oz” Geist, Kris “Tanto” Paronto, John “Tig” Tiegen, Tyrone “Rone” Woods, Jack Silva, e Dave “D.B.” Benton (Benton e Silva são pseudónimos, os restantes são os nomes reais dos operadores), J. Christopher Stevens, Sean Smith, Glen “Bub” Doherty, “Bob”, “Henry”, Alec Henderson, David Ubben e Scott Wickland – que mostraram os seus actos de competência e coragem.

O ataque desenrolou-se na Líbia, um país conhecido pelas suas notícias perturbadoras, é uma “nação norte-africana com a dimensão aproximada do Alasca, a Líbia é um vasto deserto com uma pequena faixa de solo fértil na sua costa setentrional”. É um país que faz fronteira com muitos outros países com grande instabilidade como a Tunísia, Argélia, Egipto, Níger, Chade e Sudão. O país divide-se em três regiões: Tripolitânia (oeste), Cernaica (leste), com Benghazi como capital e Fazânia (árido sul).

A cidade de Benghazi é das cidades com mais população do país e a maior parte da população é muçulmana sunita. À medida que vamos lendo estas primeiras páginas, é possível perceber o porquê da revolta de muitos destes países com o mundo. São potências onde ocorreram grandes guerras desde quase o começo dos tempos. Mas, foi em 1969 que a revolta começou, após do golpe de estado liderado por Muammar al-Kadhafi, que iniciou as grandes tendências revoltosas de Benghazi, “«espremeu» aquela região até a deixar seca”. Benghazi, foi vítima de opressão e negligência e o sentido de revolta aumentava cada vez mais. No ano de 2011, após uma guerra civil que pôs fim à vida de Kadhafi, Benghazi saciou a sua sede de vingança.

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Como nos restantes dias, 11 de Setembro de 2012, foi um dia normal para os operadores. Os operadores passavam os seus dias sentados a beber café, a ler, a ver filmes, a jogar videojogos e a treinar. Para além, das suas tarefas de lazer, os operadores acompanhavam, muitas das vezes, oficias da CIA a contactos libaneses,  planeavam estratégias de segurança para proteger o Anexo e o Complexo onde habitava Stevens – embaixador norte-americano na Líbia. O Complexo – local habitacional do embaixador – estava bastante desprotegido, mas apesar da quantidade de queixas feitas pelos operadores aos seus superiores, nada foi feito para reverter a situação.

Contudo, tudo mudou às 21:40 do dia 11 de Setembro de 2012,  o Complexo foi atacado por 20 indivíduos armados que entraram sem problemas no Complexo. O alarme de perigo foi feito quase de imediato ao Anexo da CIA que se encontrava a apenas 1 milha de distância do Complexo. A equipa de operadores secretos reuniu os equipamentos e preparou-se para sair do Anexo e ir ajudar o Complexo. Quando chegaram ao Complexo os atacantes tinham fugido e apenas lhes restou procurar pelos membros desaparecidos, encontraram Smith morto devido à inalação de fumo. De seguida, voltaram ao Anexo e prepararam-se para o pior, um segundo ataque e desta vez, ao Anexo. O Anexo foi atacado duas vezes sem sucesso, contudo veio um terceiro ataque que acabou por matar Woods e Doherty e ferir gravemente dois outros membros. Após os quatro ataques e a morte de quatro membros norte-americanos, incluindo Stevens – o embaixador norte-americano, os sobreviventes foram resgatados e escoltados até ao aeroporto com voo para os Estados Unidos da América.

No final do livro, Zuckoff apresenta a sua crítica detalhada sobre o papel dos Estados Unidos da América, antes, durante e depois dos ataques. A crítica faz nos perceber o papel deficiente do governo norte-americano em ajudar ou em resgatar os operadores que ainda estavam em terreno estrangeiro e salienta o “engano público” que a administração de Obama estabeleceu por motivos políticos.

“… os ataques poderiam ter sido evitados. Ou seja, se o Departamento de Estado tivesse tomado medidas apropriadas para melhorar a segurança no Complexo, em resposta aos numerosos avisos e incidentes durante meses anteriores”

 

O livro descreve a história com momentos esclarecedores sobre a cidade e as regiões envolventes, a opinião dos benghazianos sobre os americanos, outras missões durante o período em que Jack Silva esteve no Anexo, os momentos de lazer dos operadores e também os momentos sérios de treinos. Mas, também toda a controvérsia do governo americano, no que diz respeito, aos ataques de Benghazi, o papel dos Estados Unidos diminuto na missão que deixou os operadores sem ajuda durante 13 horas de constantes ataques e que constou quatro mortes.

A escrita do autor é clara, tem um grande poder de descrição e pormenorização (utilização de mapas ilustrativos) dos acontecimentos, dos operadores e da vida de uma missão militar. Tornou, o livro simples de ler, contudo, muitas das vezes tem termos técnicos militares, nomes de armas e mísseis, que para quem não está dentro do assunto deve pesquisar ao pormenor para poder perceber aquilo de que realmente se trata.  Muitas das vezes explica através de uma nota de fim de página algumas das coisas referidas, mas nem todas.

O relato dos cinco operadores sobreviventes e outras fontes publicadas e não publicadas, os espaços a preencher que faltavam ao escritor e muitos outros jornalistas e autores que passaram anos a cobrir assuntos militares e os serviços clandestinos da nação norte-americana tornaram o livro completo e exaustivo de informação que nunca é de mais.

No geral, o livro está muito bem estruturado, explicando claramente quem foram os operadores e os restantes membros presentes em Benghazi, os mapas do Complexo e do Anexo e os mapas de combate do Complexo e do Anexo, explica uma visão geral sobre Benghazi (factores históricos, económicos, históricos, sociais e religiosos). O grande objectivo do livro era relatar as 13 horas vividas pelos operadores sobreviventes nos ataques de Benghazi e esse objectivo foi cumprido de maneira eficaz e com um grande número de pormenores.

Concluindo, 13 horas é um livro que relata a verdade sobre os ataques de 11 de Setembro de 2012 em Benghazi. O livro está muito bem conseguido porque pormenoriza quase de minuto a minuto aquilo que aconteceu durante os ataques, mas também algumas das missões anteriores ao ataque. Aconselho esta obra literária a quem se interesse em compreender a revolta dos países do Oriente, o trabalho desgastante da vida de um militar que luta para proteger a sua nação e os seus compatriotas e quem deseja perceber a pouca ajuda dos Estados Unidos em resgatar aqueles que deram a vida pela nação e pelos membros da nação nos ataques de Benghazi.

“«13 Horas recorda-nos o sacrifício feito por estes homens que colocaram voluntariamente a sua vida em risco, que “acreditavam no seu trabalho e no seu país.»”

 

Avaliação Geral do Livro: 9,8/10

 

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 Deixo aqui o link da fundação memorial em nome de Glen, um dos falecidos dos ataques, com a missão de “levar a educação e a diversão aos necessitados”.

www.glendohertyfoundation.org

 

 

 

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