Histórias: forma de atingir valor

Cada vez mais, as organizações têm preocupações com aquilo que transmitem, isto porque, são grandes ferramentas de influência social. As mesmas moldam a sociedade e os valores sociais e por isso têm que fazer toda a sua ação com cautela.  Fazem-no muitas das vezes através da criação de histórias com o intuito de criar valor organizacional.

Em primeiro lugar, é possível destacar a grande importância que as organizações têm nos dias de hoje, tudo aquilo que nos rodeia são organizações, sejam estas públicas, privadas ou de economia social. Durante toda a sua atividade, estas têm um grande impacto no contexto social, isto porque, têm a capacidade de moldar mentalidades, de influenciar escolhas e comportamentos e alterar atitudes, têm também o poder de escolher tendências, gostos e causas.

“Organizations are important components of social and physical environments, and they exert considerable influence over the choices people make, the resources they have to aid them in those choices…” – National Academies Press

Em segundo lugar, de forma a tornar a sua atividade mais influente, as organizações utilizam histórias que demonstram certos valores incutidos na sua ação. Com estas histórias, as corporações transmitem os seus valores. As histórias têm o poder de ligar pessoas, criar ligação através da representação de valores.

Todos nós gostamos de histórias e as organizações não são exceção. As histórias estão constantemente presentes no nosso quotidiano, seja através de filmes, telenovelas, notícias, mas também através daquilo que as organizações fazem para criar valor. Desde os anos 1900, as empresas começaram a preocupar-se com aquilo que transmitiam aos seus públicos, que valores detêm e que valores são transmitidos. Sendo assim, como profissionais de Relações Públicas estamos grande parte do nosso tempo de mãos dadas com a criação de histórias organizacionais.

“Storytellers, by the very act of telling, communicate a radical learning that changes lives and the world: telling stories is a universally accessible means through which people make meaning.” – Chris Cavanaugh

Como exemplo dessa atividade temos a figura do Pai Natal – Santa Claus, um homem imaginário de barbas brancas e vestimenta vermelha com um saco de presentes às costas, criado com o espírito de felicidade, bondade e partilha de bons momentos em família. Muitas organizações utilizaram este “símbolo” para partilhar os seus valores e muitas mais continuarão a fazê-lo.

Em 1920, a Coca-Cola começou a utilizar a imagem de Santa Claus em revistas e jornais, através de ilustrações. No período de 1931 a 1964, a Coca-Cola publicitou o Santa Claus a entregar presentes, a ler e a beber uma coca-cola, enquanto visitava crianças. A marca ajudou a criar a imagem do Pai Natal como ele e visto atualmente, mas os valores que ele transmitia eram os mesmos, mesmo antes da ação da marca – partilha, felicidade em família e bondade. A coca-cola transformou uma história – Santa Claus – para algo maior que leva hoje muitas crianças a acreditar nela, contudo, quando crescem sabem que esta história não é real. Para saber um bocado mais sobre o envolvimento da Coca-Cola no lançamento do “símbolo” que é o Pai Natal nos dias de hoje ir a Coca-Cola – Santa Claus

coca-cola-santa-claus-smiling

Atualmente, a Coca-Cola continua a partilhar os mesmos valores, como impulsionadora de felicidade social, espirito de partilha através da bebida preferida de muitos – Share The Happiness.

Concluindo, a meu ver as histórias que as organizações transmitem, muitas das vezes, não são reais, como o exemplo da Coca-Cola com o Pai Natal, mas os valores que elas transmitem são reais. As pessoas gostam de seguir histórias pelos valores que transmitem, e se estes forem semelhantes àqueles que elas acreditam e as façam sonhar e imaginar coisas “boas”, as organizações vão ser etiquetadas com esses valores.

A minha resposta à pergunta: “O pai Natal existe?”, é não, a personagem de cabelos brancos, fato vermelho com um saco de presentes às costas não é existe, contudo os valores que a personagem transmite são reais.  Por fim, é possível afirmar que as organizações podem criar valores sociais através de histórias imaginárias.

A história não precisa de ser real para transmitir valores reais.

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